domingo, 27 de abril de 2014
A HORA DO TESTE
Hoje quis testar-me. Tinha a certeza que estavas por perto. Logo cedinho tinha
visto o carro no sítio do costume. E, porque não sou parva. Porque sei juntar 1 mais 1.
Porque tenho um sexto sentido. E porque... E porque, ontem tinha ouvido o inconfundível
som daquele portão de ferro, azul, com o número onze, a fechar-se sobre si mesmo.
Desafiei-te para um café. Vieste. Bebemos...Conversámos como se não houvesse
mais nada.
E, confesso, não senti nada o que me deixou confusa. Onde estava a ansiedade? O
bater descompassado do coração? O ciúme a apertar o peito como se de um torniquete se
tratasse?
Por um lado era bom sentir este desprendimento....por outro. era muito mau pois
era sinónimo que algo estava a morrer em mim...aos poucos.
Era como se, dentro do meu cérebro houvesse um mecanismo racional a conviver
com um enfermo com os dias contados. Sabemos de antemão que o vamos perder...
mais dia menos dia...que esse perder será bom para ele por ser o fim de um caminho sem
esperanças e desesperanças, de uma luta entre o ter e o perder. entre o querer e o renun-
ciar...
E lentamente, dia após dia,vamos preparando, psicológicamente, para o momento
final. E, quando ele chega, já estamos petrificados: não sentimos. Não sofremos. Não
gritamos. Não arrepelamos os cabelos. Não salgamos os olhos no cloreto de sódio das
lágrimas.
Aceitamos o fim com a resignação de um suspiro,...de uma ponte para a outra
margem: a da resignação...da saudade...da memória...do...viverás eternamente dentro
do meu coração.
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