SOCIEDADE EM CONTRAMÂO
Alguém me dizia há dias: não compliques! Não procures o porquê! Aceita apenas e junta-te ao rebanho. Se não os podes mudar muda-te a ti própria e junta-te à maioria. Acontece que eu sempre fui rebelde e amiga de questionar sobretudo quando não entendia.
Tudo isto vem a propósito do Natal. Queixava-se uma velha amiga que o Natal deixara de ter interesse para ela. Não lhe dizia absolutamente nada. Filha única os pais sempre alimentaram nela o fervor, a devoção, os hábitos que vinham de muito longe, dos bisavós que cruzaram mares e serras levando e trazendo na memória e na pituitária o cheirinho dos fritos.. das couves, do bacalhau oriundo das frias águas do norte.
Ajudou quando a idade lhe permitia, a descascar as batatas, a repigar as couves, a amassar as filhozes,
a enfeitar o tronco de Natal que presidia à mesa de família...
Cresceu. Constituiu família mas nunca deixou adulterar o "seu Natal" e hoje, na sua pele de avó e matriarca de uma família que ainda depende muito da sombra dos seus ramos protectores, a minha amiga
sofreu um rude golpe.
A azáfama na cozinha era notória. Discreta como sempre procurou o seu cantinho favorito para tranquilamente fazer os "seus" doces. Alguém a interpelou. Mais doces? Para quê? Há tartes... há tortas...há bolo de chocolate...há pudins... há.... há....há.....
Os seus ouvidos recusaram-se a ouvir mais.. " e as filhozes de abóbora"?...e os "coscorôes" ? e os "sonhos"...e as "rabanadas "? E tudo aquilo que era o seu Natal... Que ela queria preservar, transmitir aos seus herdeiros....
Tudo isso já não fazia sentido... mas ela não desistiu. Arregaçou as mangas.. foi-se á massa....fez o tronco que amanhã acabará e tomará o lugar de honra á sua mesa de consoada... e depois da ceia enquanto
umas lavam a loiça e outros põe a mesa com o perú e tudo, ela, "a velha" a curtir antiguidades gastronómicas, irá matar saudades da sua mãe, enquanto frita as filhozes , as polvilha de açúcar e leva carinhosamente para o centro da mesa....
E, quem sabe?...com uma lágrima em equilibrio instável na ponta das pestanas a minha amiga não ganha coragem para solenemente dizer, em jeito de despedida, ás filhas e nora, aos genros, aos netos e netas que este Natal, de 2013, será o derradeiro Natal que partilhará com eles.
Porquê? Perguntarão!
" Porque de posse de todas as minhas faculdades e lucidez compreendi que não passo duma carta fora do baralho. Um ser invisível....sem direito a um mimo que me lembre tempos distantes em que numa família reduzida todos se amavam sem egoísmos nem modernismos. Fiéis ao Amor...á Tradição...."
" Se 2014 ainda me encontrar por cá irei."..sózinha."...para não incomodar ninguém viver o meu Natal
algures , entre a Saudade e o Dever de perpectuar aquilo que os meus Maiores me legaram...
" E serei feliz, longe de modernismos efémeros mas perto do coração de muitos milhares de portugueses que por esse mundo fora continuam a valorizar os nossos hábitos e costumes, seculares, unidos pelos cheiros e pelos sabores do "nosso Natal", a quantos, mesmo longe nunca os esquecem... "
Deixemo-nos de imitações, de modernices e sejamos realmente PORTUGUESES!!!!!!!
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
VOA...VOA, PENSAMENTO, SOLTA-TE ..PARTE SÓZINHO
VOA...VOA, PENSAMENTO, SOLTA-TE...PARTE SÓZINHO
" Posso dar-te um puxão de orelhas? "
"Porquê ? " - perguntei...
E o teu riso cristalino soltou-se enchendo todo o espaço envolvente: ah! ah! ah!.....ah!...ah!...ah!
Perante a minha cara meio desconfiada remataste:
Sempre tinha razão quando afirmei que " palavras, leva-as o vento..."
Lembras-te do que me disseste, ontem?
Não! Sinceramente não!
Pois!.. As palavras voaram. Aí está porque não acredito em "letristas"....
E, não me disseste o que eu afinal havia dito de tão importante...
Porquê?
Um espaço assim, cavado entre nós parece muito importante, para ti....Para mim não!
O importante para mim é sobreviver ao dia que se afoga no horizonte.
O importante para mim é ver o dia renascer no outro dia...Com chuva...com vento ou com sol é um novo dia em que vou ouvir de novo a tua voz...do outro lado do mundo, do outro lado do tempo... a dizer-me:
---" Bom dia! "
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
MEMÓRIA...PARA TODO O SEMPRE
MEMÓRIA PARA TODO O SEMPRE
Era um dia como o de hoje. Começo de tarde quase outonal. Algo como uma mola a impulsionou a largar o sofá onde se enterrara depois do almoço. Como um autómato, sem saber porquê, atravessou o jardim e
entrou decidida no edifício da PT.
Não sabia bem o que a levara ali.
Tirou a senha de vez e ficou à espera. Recorrentemente pensou em ir embora mas continuava pregada ao chão perguntando-se: mas afinal, nem sei bem o que venho esclarecer aqui, Mas foi ficando...
De repente, uma voz num balcão de atendimento enumerou 245......? Reconheceu a zona telefónica. Reconheceu aquela voz....
Colocou-se entre portas. Era ele e para sair teria de passar por ela.....Iria reconhecê-la?
Passaram meses e meses......Momentos bons e pesadelos desabaram como chuva tropical , mas ele estava de novo ali, no mesmo local, quase à mesma hora.
Cá de fora através do vidro da montra ela observava-o tranquila sem que ele o soubesse.
Quando saiu ela chamou-o. Seguiram lado a lado. Ele talvez não pensasse em nada mas ela....respirou fundo enquanto pensava que ele estava bem mais elegante.....
O dia estava quente e uma bebida fresquinha veio mesmo a calhar....
Era um dia como o de hoje. Começo de tarde quase outonal. Algo como uma mola a impulsionou a largar o sofá onde se enterrara depois do almoço. Como um autómato, sem saber porquê, atravessou o jardim e
entrou decidida no edifício da PT.
Não sabia bem o que a levara ali.
Tirou a senha de vez e ficou à espera. Recorrentemente pensou em ir embora mas continuava pregada ao chão perguntando-se: mas afinal, nem sei bem o que venho esclarecer aqui, Mas foi ficando...
De repente, uma voz num balcão de atendimento enumerou 245......? Reconheceu a zona telefónica. Reconheceu aquela voz....
Colocou-se entre portas. Era ele e para sair teria de passar por ela.....Iria reconhecê-la?
Passaram meses e meses......Momentos bons e pesadelos desabaram como chuva tropical , mas ele estava de novo ali, no mesmo local, quase à mesma hora.
Cá de fora através do vidro da montra ela observava-o tranquila sem que ele o soubesse.
Quando saiu ela chamou-o. Seguiram lado a lado. Ele talvez não pensasse em nada mas ela....respirou fundo enquanto pensava que ele estava bem mais elegante.....
O dia estava quente e uma bebida fresquinha veio mesmo a calhar....
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
FIM DE TARDE OUTONAL
FIM DE TARDE OUTONAL
Uma clareira de jardim, igual a tantas outras.
Quatro bancos. Ele enroscado nela. Ela enroscada, pendurada nele.
Duas cabeças: uma, loiro artificial. A outra como o pronúncio de que começa a "nevar". Mãos nas mãos entrelaçadas. As têmporas encostadas como suportes mútuos de árvores mal tratadas durante anos.
No quarto banco, a solitária mas não "sòzinha", olha para dentro e pensa: Deus meu!...
Será que ainda tenho o direito de competir com um trio tão diverso?
Tão longe e tão perto no caminho do sonho e da realidade.
Anseio de se encontrarem. Pressa de se separarem. De se reencontrarem num qualquer ecrã dum telemóvel, clicando SMSS, onde fica sempre algo por dizer...
Até ao novo amanhã!.......
Uma clareira de jardim, igual a tantas outras.
Quatro bancos. Ele enroscado nela. Ela enroscada, pendurada nele.
Duas cabeças: uma, loiro artificial. A outra como o pronúncio de que começa a "nevar". Mãos nas mãos entrelaçadas. As têmporas encostadas como suportes mútuos de árvores mal tratadas durante anos.
No quarto banco, a solitária mas não "sòzinha", olha para dentro e pensa: Deus meu!...
Será que ainda tenho o direito de competir com um trio tão diverso?
Tão longe e tão perto no caminho do sonho e da realidade.
Anseio de se encontrarem. Pressa de se separarem. De se reencontrarem num qualquer ecrã dum telemóvel, clicando SMSS, onde fica sempre algo por dizer...
Até ao novo amanhã!.......
CONSIDERAÇÕES.
CONSIDERAÇÕES
Quando a 14 de Dezembro de 2012 tomei a decisão de iniciar um blog senti dificuldade em definir uma área específica. Escolher uma palavra ou palavras que fossem uma forma de identidade era complicado,
Então optei por lhe chamar MOMENTOS pois toda a nossa vida é, afinal, uma sucessão de bons ou maus momentos. Mas todos são importantes na vida de cada um de nós.
Se fosse hoje, acho que lhe chamaria O POLVO.
E porquê?
Simplesmente porque o meu blog, pouco a pouco, começou a espreitar - como o polvo que se refugia num buraco da rocha - e a deitar os tentáculos de fora para agarrar assuntos diversificados.
E, como o polvo tem oito tentáculos, vou fazer como ele: fazer Momentos diversificarem-se em tentáculos
( momentos específicos mas todos importantes ) com "carne rija e fresca" como os do polvo.
A este vou apelidá-lo de JANELA ABERTA PARA A VIDA....
Quando a 14 de Dezembro de 2012 tomei a decisão de iniciar um blog senti dificuldade em definir uma área específica. Escolher uma palavra ou palavras que fossem uma forma de identidade era complicado,
Então optei por lhe chamar MOMENTOS pois toda a nossa vida é, afinal, uma sucessão de bons ou maus momentos. Mas todos são importantes na vida de cada um de nós.
Se fosse hoje, acho que lhe chamaria O POLVO.
E porquê?
Simplesmente porque o meu blog, pouco a pouco, começou a espreitar - como o polvo que se refugia num buraco da rocha - e a deitar os tentáculos de fora para agarrar assuntos diversificados.
E, como o polvo tem oito tentáculos, vou fazer como ele: fazer Momentos diversificarem-se em tentáculos
( momentos específicos mas todos importantes ) com "carne rija e fresca" como os do polvo.
A este vou apelidá-lo de JANELA ABERTA PARA A VIDA....
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